quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Vanilla Sky

Um dos melhores filmes que já vi. Apaixonante! Uma história linda linda, com uma alinearidade sensacional, o que o torna ainda mais especial. Temas novos são abordados. Temas antigos também. Embora o sejam de maneira sutil, discreta e diferente. Atuações brilhantes (Penélope Cruz e Tom Cruise) que nos deixam de queixo caído. Uma versão mais hollywoodiana e caprichada de Abre los Ojos, do diretor do igualmente maravilhoso Mar Adentro.
"Every passing minute is another chance to turn it all around". Essa e muitas outras frases ficam na cabeça da gente e parecem não mais sair. E a música do final... Nothing Song do Sigur Ros... simplesmente perfeita!
E sem falar na alusão do título do filme ao quadro igualmente perfeito do igualmente perfeito impressionista Monet. Claude Monet.

" The little things... there's nothing bigger, is there?"

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Numa discussão sobre o futuro dos jovens numa aula de Filosofia no 1º período de Direito, o desesperançado professor disse que não era bom começar por Paulo Coelho, etc e tal, aí eu fiz a seguinte indagação: Como entender o porquê de Gregor se transformar num inseto se antes não criamos em nós mesmos uma sensibilidade natural obtida da leitura constante? Depois, ao final da aula, meu colega de curso, alguns anos mais velho que eu, pediu-me o livro emprestado (Metamorfose de Kafka). No outro dia, trouxe o livro para ele. Depois de algum tempo, ele me devolveu contente que só ele, agradecendo a mim por ter mostrado a ele a obra e por tê-lo feito crescer como pai (isso porque o livro era 3 em 1 e, junto a Metamorfose, estava Carta a meu pai, também de Kafka).
Não temos idade para aprender, tampouco para ensinar. A vida é engraçada.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão'

Esse é o resultado:
Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
.
Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
.
O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
.
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!
.
(O Peixe - Patativa do Assaré)

O que é bonito - Lenine

Uma música bonita, uma melodia suave, uma proposta interessante, um quê de Augusto dos Anjos:

'O que é bonito,
É o que persegue o infinito mas eu não sou,
eu não sou não não
Eu gosto é do inacabado, o imperfeito, o estragado que
dançou,
o que dançou
Eu quero mais erosão menos granito
Namorar o zero e o não e escrever tudo o que desprezo
e desprezar tudo que acredito
Eu não quero gravação nao eu quero o grito
Que agente vai, agente vai e fica a obra mas eu
persigo o que falta
não o que sobra
Eu quero tudo que dá e passa, quero tudo que se despe,
se despede e despedaça
Eu quero tudo que dá e passa, quero tudo que se despe,
se despede e despedaça
O que é bonito'

quinta-feira, 31 de maio de 2007

O Bom Cheiro do Ralo


Para iniciar, um excelente filme, inobstante seja um tanto pertubador. Pertubador não só para nós, telespectadores, mas, sobretudo, para o pobre Lourenço, personagem vivido - excelentemente - por Selton Mello. O cheiro do ralo do banheiro do local onde trabalha o pertuba tanto a ponto de gerar coisas inacreditáveis. É claro que tudo movido a um refinado e sutil humor e uma linguagem bastante metafórica. Bom... sem querer prolongar, o lance da "coisificação" é retratado brilhantemente no filme cuja atmosfera inquieta (que é a do próprio Lourenço) é de se ressaltar. Muito bom!